terça-feira, 25 de junho de 2013

Cartografia da População de Belém (1960)

Cartografia da População de Belém (1960)

Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
* Bolsista no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: Philcarto, Phildigit, Google Earth Pro e Adobe Illustrator aplicado a Cartografia Temática
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@yahoo.com
Cursos, Mapas, Cartogramas e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp) 


1. INTRODUÇÃO


Recorrer as obras antigas dos primeiros pesquisadores sobre determinado assunto é válido, na medida em que podemos compreender melhor o tempo presente. Nesse sentido, essa postagem recorreu a um dos primeiros geógrafos a produzir conhecimento científico sobre Belém: Antônio Rocha Penteado. No livro Belém do Pará: Estudo de Geografia Urbana, há vários dados acerca da distribuição da população na década de 60, que foram usados para elaborar mapas temáticos com o intuito de melhorar a compreensão de tais características.



2. MATERIAIS E MÉTODOS

O software ArcGis foi utilizado para elaborar os mapas temáticos a partir de dados dos bairros de Belém descrito no livro Geografia Urbana (PENTEADO, 1968). Entre os dados, serão destacados a proposta de regionalização; população total e densidade demográfica.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Regionalização de Belém em 1960


Segundo Antônio Rocha Penteado (1968), tomando como base as características funcionais. A cidade de Belém nos anos 60 era dividida em quatro áreas, conforme podemos ver no (Figura 01).
a) Zona Sul: Era formada pelos bairros da Batista Campos , Jurunas, Cremação, Condor e Guamá
b) Zona Leste: Era formada pelos bairros de Nazaré, São Brás, Canudos e Terra Firme.
c) Zona Norte: Era formada pelos bairros da Matinha (Atual Fátima), Umarizal, Telégrafo sem Fio (Atual Telégrafo), Sacramenta, Pedreira, Marco, Sousa e Marambaia. 
d) Zona Oeste: Campina, Reduto e Cidade Velha.


Mapa 01. Divisão dos bairros de Belém em zonas (1960)
Fonte: GUSMÃO, L. H. (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.

Conforme a figura acima, Belém em 1960 era constituída por 20 bairros situado em 4 zonas diferentes, na qual a Zona Norte tinha a maior extensão territorial, era a mais populosa e com o maior crescimento urbano da época, predominando uma população com baixo poder aquisitivo e estando em áreas de várzea (Áreas inundáveis periodicamente). 

Os bairros da Zona Oeste eram predominantemente comerciais, com imensas e variadas lojas, principalmente em Campina. O bairro do Reduto era industrial, contendo inúmeras fábricas alimentícias, têxteis e de limpeza. O bairro da Cidade Velha possuía e ainda tem um rico patrimônio histórico e arquitetônico do século XVI, XVII e XVIII nas suas ruas estreitas.

Os bairros de Batista Campos, São Brás, Canudos, Marco, Nazaré e área Norte da Cremação possuíam terrenos mais elevados, com quarteirões amplos e traçados com um certo planejamento. Neles residia a classe média e alta belenense. Suas casas eram revestidas de azulejo, construídas no alinhamento da rua, geralmente asfaltadas e, com exceção de Canudos, todas eram arborizadas. Na porção sul do bairro da Cremação moravam geralmente os operários e comerciantes. 

No bairro de Nazaré, havia o contraste entre  novo e o velho, se destacando a Basílica de Nazaré, os grandes palacetes, alguns transformados em repartições públicas, outros ainda ocupados pelas famílias tradicionais de Belém, e as modernas construções, como o edifício Manoel Pinto da Silva, o mais alto de Belém na época. Além de ser um centro religioso, o bairro funcionava como centro educacional, comercial e recreativo, pois concentrava a Faculdade de Administração da Universidade do Pará, os núcleos de ciências exatas e humanas, colégios de ensino médio, fundamental e língua estrangeira, galerias, livrarias, papelarias, institutos de beleza, cinemas, restaurantes, bares, lanchonetes, farmácias, entre outros, sendo responsável pela maior agitação da vida noturna de Belém nos anos 60. (PENTEADO, A. R. 1968)

Nos outros bairros residia a população pobre de Belém, alguns apresentando graves problemas de saneamento básico, como a falta de água potável. O Guamá, Telégrafo sem fio, Matinha, Sacramenta, Pedreira Jurunas e Condor eram bairros de várzea e seus moradores viam-se sujeitos às enchentes anuais do rio Guamá ou da Baía de Guajará. As casas, a maioria barracas de madeira e pau-a-pique, cobertas de folhas de palmeira, eram construídas em um nível mais elevado ligadas através de pontes, conhecida como Estivas. Nesses bairros as principais vias comerciais e industriais eram a Estrada Nova (Atual Bernado Sayão), a Tv. Pe. Eutíquio, a Av. Sen. Lemos e a Av. Pedro Miranda.


3.2 População urbana de Belém


Tabela 1. População dos bairros de Belém em 1960

Bairros
População
Absoluta
% em relação a pop. absoluta de Belém
Densidade por hectare
Área em ha
Umarizal
26.290
11,67113,6231,4
Marco26.28611,6659,1444,4
Telégrafo Sem Fio16.7787,4471,2235,4
Pedreira16.1257,1546,1349,6
São Brás15.7016,97132,9118,1
Jurunas14.9046,6174,5200,0
Guamá13.8856,1633,3416,7
Campina13.8246,13144,395,8
Canudos11.9755,31101,4118,0
Cidade Velha9.8374,36121,780,8
Reduto9.2114,08121,076,1
Cremação9.1194,0461,8147,4
Matinha8.1893,63145,956,1
Nazaré7.5183,3355,0136,5
Batista Campos7.2933,23
67,0
108,7
Sacramenta6.6862,9622,4297,2
Marambaia4.9332,196,9713,7
Sousa4.8362,1412,4388,8
Condor1.8280,8110,4174,6
Terra Firme----

Fonte: PENTEADO, 1968. p. 208.


A base cartográfica dos bairros de 2010 foi usada para representar a distribuição da população em 1960, em que foi utilizado o método cartográfico coroplético para representar os dados.


Mapa 02. População dos bairros de Belém (PA) em 1960
Fonte: GUSMÃO, L. H (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.

O mapa 02 evidencia a distribuição espacial da população de Belém nos seus bairros, no qual o Umarizal e Marco eram os mais populosos do período, com mais de 26.000 habitantes. Em seguida, entre 14.900 a 16.778 habitantes, estavam Telégrafo sem Fio, Pedreira, São Brás e Jurunas. Em 1960, o setor Norte concentrava a maioria da população da cidade, assim como registrava a maior taxa de crescimento populacional no período.

A área central de Belém naquele período compreendia os bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto, que possuíam melhor infraestrutura, no que se refere aos serviços bancários, educacionais, de saúde, de recreação, financeiro, entre outros, no qual a população de classe média e alta habitava. A maior parte da população ficava em bairros periféricos, denotando um aglomerado de habitantes de classe baixa ou de pobres no Umarizal, Telégrafo sem fio, Pedreira, Guamá, Condor, Matinha, Marco, Sacramenta, Marambaia, Souza e Jurunas, enquanto em São Brás havia uma classe média ascendente decorrente da exaustão de terrenos em Nazaré. O bairro da Terra Firme, apesar de evidência de ocupação, não há dados registrados na obra de PENTEADO, A. R. (1968).


3.3 Densidade demográfica (Habitantes por hectares)


Agora, produzimos um mapa temático da densidade demográfica (Habitantes por hectare) dos bairros existentes em 1960, segundo dados de PENTEADO, A (1968).

O mapa abaixo (Mapa 03) expressa a forte densidade demográfica nos bairros do Setor Leste e Oeste, destacando-se Campina, Umarizal, São Brás, Reduto, Batista Campos, Cidade Velha, Canudos e Matinha, todos com mais de 100 habitantes por hectare, ou seja, cerca de 40% dos bairros já possuíam essa característica. Os menos povoados eram Sacramenta, Souza, Marambaia e Condor, entre 6 a 25 moradores por hectare, em decorrência da incorporação recente dos mesmos na malha urbana da cidade, sendo distantes do centro com uma população extremamente pobre.


Mapa 03. Densidade demográfica dos bairros em 1960 de Belém (PA)
Fonte: GUSMÃO, L (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.


Em 1960, já era evidente um adensamento populacional nos bairros com melhor infraestrutura e pouco suscetíveis aos constantes alagamentos, principalmente pelo baixo custo na manutenção das casas, assim como pela proximidade com o centro comercial da cidade. Em contrapartida, as pessoas que viviam na Zona Norte e na Zona Sul, percorriam grandes distâncias para exercer suas atividades cotidianas e estavam mais suscetíveis as doenças pela precariedade do saneamento básico.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os mapas destacaram algumas características demográficas de Belém em 1960, como a primeira tentativa de regionalização da cidades; a forte densidade demográfica nos bairros da Zona Oeste e Leste, assim como a alta concentração populacional nos bairros da Zona Norte. É evidente que Belém passava por um período acelerado de crescimento populacional, em decorrência do avanço do sistema capitalista, através da expansão do comércio e da prestação de serviços no centro, o que motivou a ocupação de bairros que eram ocupados por várzeas no Setor Norte e Sul. A cidade em 1960 tinha uma população de 225.218 habitantes, enquanto em 2010 era de 1.392.031, o que destaca o forte e acelerado processo de ocupação do seu território nas últimas décadas.




5. REFERÊNCIAS

PENTEADO, A. R. Belém do Pará: Estudo de Geografia Urbana. Volume 1. Coleção Amazônica. Série José Veríssimo. Universidade Federal do Pará - UFPA, 1968.
























terça-feira, 4 de junho de 2013

Curso: Mapeamento de dados socioeconômicos com o software Philcarto


Curso: Mapeamento de dados socioeconômicos com o software Philcarto
Ministrante: Luiz Henrique Almeida Gusmão 
Local: Embrapa da Amazônia Oriental
Cidade: Belém/PA

Cursos, mapas, cartogramas, Palestras e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp) 


1. Primeiro dia:
- Apresentação do funcionamento e das potencialidades do software Philcarto, exaltando as técnicas, aplicações em pesquisas científicas, os diferentes modos de implantação, termos técnicos e as informações contidas nos mapas. (1h e 30m)
- Produção de uma base cartográfica no software Phildigit, no caso ou estado do Acre ou o estado do Amapá, destacando todas as ferramentas disponíveis, a identificação subjetiva ou pelo código do IBGE, as formas de exportação de arquivos (.Shp), (.Ai) e outros. (1h e 30 m)
- Produção de uma base estatística no software Excel em (.txt) com os dados de população total, população urbana, população rural, taxa de urbanização, taxa de ruralização, densidade demográfica, PIB, PIB per capita, PIB agropecuário, PIB indústria, PIB do comércio e serviços, pecuária, (Qte. de bovinos, bubalinos equinos, asininos, muares, caprinos, ovinos, galinhas, galos e frangos, e suínos), microrregião, mesorregião e outros. (1h)

Outros exemplos de mapa no Philcarto que foram feitos:



  2. Segundo dia:
- - Cruzamento de uma base cartográfica pronta em (.ai) com uma base estatística em (.txt). (10m)
- Cruzamento da base cartográfica realizada no Phildigit em (.ai) com a base estatística feita no Excel em (.txt). (10m)
- Cruzamento de diversas bases cartográficas prontas em (.ai) com uma base estatística em (.txt) ( 10 m)
- Utilização do software Philcarto para a produção de mapas temáticos e/ou cartogramas (Coroplético, isolinhas, círculos proporcionais, círculos proporcionais coloridos, densidade de pontos, mapa coroplético com círculos proporcionais, densidade de pontos coloridos, mapa de semi-círculos opostos ou concêntricos, recurso calculadora, recurso grafo, recursos disposição de mapas, diagrama bivariável, diagrama triangular e cartogramas em 3D. (2h e 30m) 
- Edição de mapas temáticos, com título, legenda, escala, fonte, orientação, informação das unidades espaciais e layout com o software Paint e o Adobe Illustrator, para uma boa leitura dos mesmos. (1h)

Outros modelos de mapa que foram feitos no Philcarto:


Dia: 04/06/2014 e 05/06/2014
Horário: Das 14h as 18h 
Carga horária: 8h
Ministrante: Graduando em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) - Amazônia Oriental (BRASIL) e Estagiário na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária da Amazônia Oriental (Embrapa)