segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Avanço da Verticalização em Belém/PA usando Geotecnologias

Avanço da verticalização em Belém


Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
* Bolsista CNPq, Geógrafo e Cartógrafo no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: ArcGis, Philcarto, Phildigit, Google Earth e Adobe Illustrator aplicado a Cartografia Temática
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@yahoo.com
Cursos, Mapas Temáticos, Bases, Cartogramas, Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp) 





1. INTRODUÇÃO

A paisagem urbana de Belém vem sendo marcada pela veloz proliferação de edifícios, principalmente nos bairros centrais e em outros com uma infraestrutura regular. Esse fenômeno chamado de verticalização tem sido cada vez mais comum nas metrópoles e em algumas cidades de médio porte no Brasil e no mundo, impulsionado pelas [...] inovações técnicas de grandes empresas da construção civil; expansão da creditização para aquisição de imóveis e por imposições culturais por novas formas de moradia (FRESCA, 2009). Nesse sentido, esta postagem tem o objetivo de realizar um breve resumo da verticalização em Belém, assim como também ressaltar esse processo através do uso de fotografias e mapas temáticos.


Palavras-chave: Belém. Verticalização. Valorização espacial. Mapa. Philcarto.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para alcançar os objetivos propostos por esta postagem, foram utilizados fontes como artigos e dissertações sobre verticalização em Belém; o software Google Earth na visualização de imagens de satélite na identificação e mapeamento de edifícios, e o software Philcarto na elaboração do mapa temático sobre a verticalização, com base na quantidade de edifícios mapeados pelas imagens. O software Philcarto está disponível em http://philcarto.free.fr/.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 O que é Verticalização?

Conforme SOMEKH (1997), a verticalização é o resultado da multiplicação do solo urbano, permitindo que em único terreno haja a sobreposição de um grande número de imóveis. É concebida como a construção de edifícios acima de 4 pavimentos que vem alterando significativamente a paisagem urbana e modificando a forma de viver nas cidades (MENDES, 2009). Esse fenômeno tem facilitado o crescimento urbano de forma vertical de várias cidades brasileiras, inclusive Belém, ganhando status da cidade mais verticalizada da Amazônia.

A verticalização tem se tornado sinônimo de modernidade, de poderio econômico, status social, comodidade, crescimento urbano e por trazer uma nova forma de viver na cidade. A maioria dessas construções (arranhas-céus) vem sendo construídas para as classes mais abastadas da cidade ou para servir de endereço de grandes escritórios dos mais diversos ramos (Figura 01). A localização desses edifícios fica majoritariamente em áreas valorizadas das cidades, geralmente em áreas não alagáveis, com boa ou excelente infraestrutura de saúde, transporte, lazer, educação, entre outros, estando na adjacência do centro comercial e financeiro ou de localidades supervalorizadas na periferia.

 
 Figura 01. Exemplo da verticalização em Belém/PA em uma área supervalorizada, onde moram predominantemente classes mais abastadas
Fonte: Eloi Raíol (www.Skyscripit.com)




3.2 Verticalização em Belém 
3.2.1 Histórico da verticalização na cidade

Segundo OLIVEIRA et. al (2005), a verticalização em Belém iniciou por volta de 1940 e esteve restrita inicialmente a Av. Presidente Vargas, por estar em uma parte alta da cidade, sem chances de alagamentos; pelo fácil acesso as linhas de bonde, ao porto marítimo e aos principais hotéis, cafés, bares, restaurantes, praças e logradouros públicos. Em sua maioria, tais edifícios eram destinados a prestação de serviços comerciais, gerenciamento e controle das atividades econômicas mais expressivas da época, porém alguns empreendimentos já se destinavam a moradia das classes mais abastadas de Belém, fornecendo o que tinha de melhor naquele tempo.



Figura 02. Início da verticalização em Belém entre 1930 a 1940 na Av. 15 de agosto (Atual Pte. Vargas) 
Fonte: CHAVES, T. 2011/Acervo Magalhães Barata SECULT


Na década de 50, a verticalização começou a se espraiar em direção aos bairros centrais de Nazaré e Batista Campos, em que a Av. 15 de agosto deixou de ser a via concentradora de edifícios. Durante a década de 60 e 70, o bairro da Campina, Nazaré e Batista Campos continuaram sendo os principais locais de investimentos das construtoras civis, mas com intensificação desse processo ao redor das grandes praças públicas, tais como a República e a Batista Campos, inclusive com a inauguração do "edifício-símbolo" da modernidade e do mais alto daquele tempo, o famoso Manoel Pinto da Silva.

 

Figura 03. Verticalização nas proximidades da Praça da República e o Edifício Manoel Pinto da Silva em destaque (1960)
Fonte: CHAVES, T, 2011/Acervo Magalhães Barata SECULT


O erguimento de prédios era consequência do acelerado crescimento urbano de Belém, pela imposição de novas formas de moradia às classes mais abastadas da cidade baseada no padrão americano e europeu. Por isto o centro de Belém que naquele tempo compreendia somente 4 bairros (Campina, Batista Campos, Nazaré e Reduto) era o mais desejado pelas elites locais.

A partir da década de 80, as construções verticais avançaram consideravelmente em direção aos bairros do Reduto, Umarizal (Principal), Cidade Velha e São Brás, devido a proximidade do centro histórico e comercial, ao encarecimento dos terrenos nos bairros mais centrais, ao crescimento demográfico e a precariedade da infraestrutura em pontos mais distantes da cidade. 

Na década de 90, a verticalização alcança bairros como Pedreira, Marco, parte do Jurunas e parte da Cremação, por causa de suas vias largas, proximidade com o centro da cidade e existência de alguns equipamentos urbanos: bancos, farmácias, supermercados, entre outros. A partir de 2010, os edifícios chegam em pontos isolados no bairro do Telégrafo, Sacramenta, Marambaia, Fátima e até no Parque Verde, ao mesmo tempo em que o processo vem se consolidando no centro da cidade.



3.3 A Pujança da Verticalização em Belém

Segundo Lúcio Flávio Pinto (2011) em matéria de jornal: "Belém teve destaque nacional na primeira década do século XXI por causa do seu crescimento vertical, em que poucas cidades brasileiras levantaram tantos e tão altos "arranhas-céus", comparativamente ao seu espaço, população e densidade de construções". Isso pode ser visto no erguimento de inúmeros "espigões" nos bairros mais nobres da capital paraense: Reduto, Nazaré, Batista Campos, Marco, São Brás, mas principalmente no Umarizal. Nos últimos 25 anos, a cidade tem se tornado um "paraíso imobiliário", porque inúmeras construtoras das regiões sudeste/sul do país tem investido nesse tipo de empreendimento, destinada principalmente as classes A e B. Em especial no Umarizal, Batista Campos, Nazaré e Marco , os edifícios tem chegado a 30 andares e até 40 em alguns, o que tem gerado bastante questionamento sobre a outorga onerosa (Direito de construir na cidade), a dificuldade dos ventos adentrarem na cidade e consequente aumento das "ilhas de calor", a especulação imobiliária e ao encarecimento dos terrenos.


Figura 04. Verticalização de Belém com destaque para o bairro do Umarizal visto pela Baía de Guajará
Fonte: Jornal O Globo, 2011.


Figura 05. Verticalização de Belém com destaque para o bairro do Umarizal, Nazaré e Batista Campos visto pela Baía de Guajará
Fonte: Eloi Raíol 3D (www.skyscript.com) 
 
 Figura 06. Verticalização em Belém com destaque para o bairro do Umarizal, Batista Campos, Nazaré, Campina e parte do Jurunas.
Fonte: Eloí Raíol 3D (Eloiraiolfotografando.blogspot.com)



3.4 Cartografando a verticalização de Belém

Através da análise  de imagens de satélite da cidade, do mapeamento dos edifícios por estas imagens (Projeção de sombra) no software Google Earth; de informações através de artigos, dissertações e matérias de jornal e também de publicidade dos últimos anos, foi realizado um esforço para retratar a intensidade da verticalização nos bairros de Belém através de um mapa temático elaborado no software Philcarto com o método coroplético e assim, possibilitar uma visão geral da cidade.

Mapa 01. Belém - Verticalização nos bairros em 2014 com o software Philcarto

É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor, sob penalidade judicial por direitos autorais.
Fonte: Autoria própria (2015)
Fonte: Autoria própria (Luiz Henrique Almeida Gusmão - Geógrafo)
*Não autorizo a utilização e reprodução sem o contato prévio com o autor.


O mapa temático acima ressalta a intensa verticalização nos bairros centrais da cidade, destacando-se o Umarizal, Nazaré (Figura 6) e Batista Campos, onde o lançamento de novos apartamentos é constante, sendo portanto a principal área de investimento imobiliário da Grande Belém, onde o preço do (m2) gira em torno de R$4.000,00 a R$7.000,00. O valor dos apartamentos têm custado em média entre R$400.000,00 a R$1.500.000,00 dependendo da arquitetura, opções de lazer, vagas de garagem e do tamanho do imóvel. Em seguida e por ordem, o bairro de Marco, São Brás, Campina, Pedreira e Cremação estão entre os mais verticalizados da cidade.

No Eixo central, o Umarizal e Batista Campos são os bairros mais procurados pelas construtoras. Fora do eixo central, o Marco, a Pedreira, a Cremação e parte do Jurunas (Fronteira com B. Campos) têm sido os bairros mais procurados para a construção de edifícios, essencialmente nas ruas e avenidas mais largas e que dão acesso ao centro. A zona mais verticalizada de Belém cobre os seguintes bairros como mostra o mapa 2 abaixo:


Mapa 02. Zona com Intensa Verticalização em Belém
É expressamente proibido o uso e o compartilhamento desse mapa sem autorização prévia do autor.
Fonte: Google Earth Pro

O mapa ressalta ainda que os bairros em intenso processo de verticalização são justamente os mais valorizados, concentrando as maiores rendas média por chefe de domicílio, variando entre 5 a mais de 10 salários mínimos, tornando-se portanto residência da maioria da elite belenense, em que as características espaciais são muito bem definidas, como ruas largas e arborizadas, presença de áreas verdes e boa infraestrutura, como podemos perceber na Figura 6. Este mapa também pode nos dá indicativos de onde as "ilhas de calor" são mais intensas em decorrência do grau de verticalização nos bairros.


Figura 6. Exemplo do mapeamento dos edifícios do bairro de Nazaré
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (Geógrafo); Imagem ainda sem georreferenciamento no Google Earth (2015)


5. CONCLUSÃO

A verticalização em Belém está concentrada nos bairros centrais e nos adjacentes, que reúnem as melhores infraestruturas na área da educação, saúde, transporte, lazer, cultura e saneamento básico, tais como o Umarizal, Nazaré, Batista Campos, Campina, São Brás e Marco, apesar de está avançando de forma tímida em bairros da periferia imediata, como Pedreira, Telégrafo, Cremação, Jurunas, Sacramenta, Marambaia e outros. Esse processo tem ocasionado uma supervalorização dos terrenos na primeira légua patrimonial, fazendo com que Belém nos últimos anos tivesse o 5° m² mais caro das cidades brasileiras, devido a saturação de terrenos menos suscetíveis aos alagamentos, a carência de infraestrutura básica em muitos bairros, o direcionamento dos investimentos públicos quase que concentrados no centro, a baixa expansão dos serviços de saneamento básico na periferia, entre outros. O software Philcarto foi importante na elaboração do mapa temático retratando a intensidade da verticalização em Belém, sendo primordial na análise do espaço urbano na área socioeconômica e imobiliária, podendo nos dá uma visão geral sobre qualquer variável de cunho espacial.




6. REFERÊNCIAS



BLOG ESPAÇO ABERTO. http://blogdoespacoaberto.blogspot.com.br/2008/12/belm-tem-o-5-metro-quadrado-mais-caro.html


CHAVES, T. Isto não é para nós!: um estudo sobre a verticalização e modernidade em Belém entre as décadas de 1940 a 1950. (Dissertação de Mestrado em História), UFPA, 2011.

ELOÍ, 3D. eloiraiolfotografando.blogspot.com

FRESCA, T. Aspectos do processo de verticalização de Londrina/PR. SIMPGEO. 2009, Ponta Grossa, p.1-24.

GOOGLE EARTH. http:earth.google.com. Imagens diversas, 2014 - Mapeamento pontual.
JORNAL DIÁRIO DO PARÁ, 2013 e 2014. http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-77434.html. 

OLIVEIRA, J. et. al. A verticalização em Belém-Pará, Brasil, nos últimos trinta anos: a produção de espaços segregados e as transformações socioambientais. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina, USP.

PINTO, Lúcio Flávio. Jornal Pessoal: A agenda Amazônica de Lúcio Flávio Pinto. Belém.

MENDES, C. O processo de verticalização no centro de Maringá-PR, 2003. Revista Scielo.

PHILCARTO. http://philcarto.free.fr

SOMEKH, N. A Cidade Vertical e o urbanismo modernizador. São Paulo: Studio Nobel/Fapesp, 1997. (Coleção Cidade Aberta).


5. ALGUNS SERVIÇOS DE GEOPROCESSAMENTO


































 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Cartografia e Impactos Ambientais na Ilha de Mosqueiro em Belém/PA

Cartografia e Impactos ambientais na ilha de Mosqueiro em Belém/PA


Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
* Bolsista no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: Philcarto, Phildigit, Google Earth e Adobe Illustrator aplicado a Cartografia Temática
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@yahoo.com
Cursos, Mapas, Cartogramas, Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp) 




1. INTRODUÇÃO

O crescimento urbano acelerado e desordenado das cidades causa sérios prejuízos à qualidade ambiental, devido a pressão antropogênica sobre os recursos naturais, contribuindo para o desflorestamento, contaminação hídrica, queimadas, assoreamento, extinção de espécies nativas, entre outros. Nessa postagem, iremos enfatizar alguns impactos ambientais que vem afetando diretamente o Distrito de Mosqueiro, no município de Belém, com o auxílio de imagens de satélite da área de estudo, sendo recursos tecnológicos importantes na visualização de problemas ambientais, podendo ser usado no direcionamento de políticas ambientais.

Palavras-chave: Ilha de Mosqueiro. Belém.  



2. MATERIAIS E MÉTODOS

Nesta postagem, utilizamos como fontes trabalhos de dissertação e de conclusão de curso sobre alguns dos impactos ambientais que Mosqueiro vem enfrentando na atualidade. Foi usado o software Google Earth como ferramenta para visualizar algumas problemáticas em questão através de imagens de satélite disponíveis do local.



3. DESENVOLVIMENTO
3.1 ILHA DE MOSQUEIRO EM BELÉM/PA 


As primeiras habitações de Mosqueiro surgiram por volta do século XVIII, com a vinda de colonizadores portugueses para a ilha, deparando-se com os residentes locais da época, os índios tupinambás. Nesse período, a prática dos indígenas conhecida como moqueio (Processo de conservação de animais putrescíveis) deu origem ao nome da ilha, que após variações linguísticas, passou a ser chamado de moquear e posteriormente, tornou-se Mosqueiro (TAVARES, et. al, 2007).

A partir do século XIX, com o ciclo da borracha na Amazônia, o espaço começou a se valorizar devido a proximidade com Belém, que naquele período passava por um intenso desenvolvimento econômico, contribuindo para a chegada da eletricidade, meios de transporte interno e edificação de residências luxuosas na ilha no início do século XX (NASCIMENTO, E, 2009). Nos anos 60, era o principal destino de férias da classe média e alta da capital, sendo responsáveis pelas construções de casas na orla das praias (FURTADO, 2008)

Antes da inauguração da ponte em 1967 que liga a Região Metropolitana de Belém à ilha de Mosqueiro, o acesso se dava somente por navios pela Baía de Guajará e do Marajó, por isso era quase restrita a elite lo e aos estrangeiros moradores da capital. Com a abertura da via terrestre, o número de veranistas aumentou significativamente, sendo refúgio durante os finais de semanas, feriados e férias, com linhas de ônibus regulares partindo do bairro de São Brás.

Hoje, a ilha de Mosqueiro e outras menores fazem parte do Distrito de Mosqueiro que está incorporado ao município de Belém/PA (MAPA 01). O local está a 70 km do centro da capital e tem uma população de aproximadamente 30.000 habitantes (IBGE, 2010). É o balneário mais frequentado do Pará, com estimativa de quase 300.000 veranistas em cada fim de semana de Julho, que vão atrás principalmente dos 17 km das várias praias existentes (PREFEITURA MUNICIPAL DE BELÉM, 2014).

Mapa 01. Ilha de Mosqueiro em Belém e no Estado do Pará (Brasil)

Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (Geógrafo)


3.2 IMPACTOS AMBIENTAIS COMUNS
3.2.1 Desmatamento 

A ocupação desordenada por meio da expansão de moradias precárias, a especulação imobiliária, extração de madeira e de areia irregular, e mais a abertura de vias marginais têm sido os principais motivos para o aceleramento do desmatamento na ilha de Mosqueiro em Belém. Esse quadro tem sido agravado pela intensa migração de famílias com baixa renda, devido a abundância e os preços mais atrativos dos terrenos em Mosqueiro do que na sede municipal de Belém. 

A profusão de praias e uma orla turística com uma infraestrutura razoável tornam-se atrativos da ilha como ponto de lazer. Mais recentemente (Meados dos anos 90), o boom imobiliário da cidade de Belém tem contribuído para alta demanda por areia e provocado a sua extração em lugares cada vez mais distantes como em Mosqueiro. Com base nas imagens disponíveis pelo Google Earth, foi mapeado alguns dos problemas relatados acima:


Figura 01. Áreas de extração de areia, expansão urbana e vias recém abertas em Mosqueiro visto no Google Earth (Belém/PA)
Fonte: Autoria própria (2014)


Com base na figura acima, é possível vê que há grandes áreas de extração de areia, principalmente próximo as vias que dão acesso as praias de Carananduba, Chapéu Virado, Murubira e São Francisco, e que muitas delas, estão atreladas as vias recém abertas na ilha. Grande parte dessas atividades ainda estão em processo de regularização, em que este procedimento deva ser concluído o mais rápido possível, para que não haja impactos ambientais mais significativos, tais como erosão, desflorestamento, queimadas, entre outros.

A área urbana consolidada está em um raio de 3 km em direção ao continente, contemplando os bairros ao oeste de Mosqueiro. A expansão urbana de Mosqueiro segue a área de ocupação mais antiga, sendo com maior força nos bairros a oeste: (Vila, Farol, Chapéu Virado, Ariramba, Natal do Murubira e Murubira), enquanto na porção norte-nordeste (Baía do Sol, Paraíso, Marahu e Sucurijuquara), mostra-se mais vagarosa, ainda com extensas aglomerações florestais, porém com sinais de pressão demográfica, visto no aumento da construção de casas, bares e hotéis.

Nesse sentido, diversas ações vêm sendo realizadas pelos órgãos competentes para coibir um acelerado desmatamento, como o sobrevôo em áreas consideradas críticas, a intensificação da fiscalização ambiental, o mapeamento e o monitoramento das atividades existentes. Uma das medidas que pode ser realizada é o aumento de áreas de proteção permanente (APP) na ilha, a elaboração de um zoneamento ecológico e principalmente o seu cumprimento pelo governo municipal, a fim de preservar a biodiversidade existente, garantir melhor qualidade de vida aos seus moradores, utilizar de maneira sustentável seus recursos naturais e implantar um turismo ecologicamente sustentável, sem grandes impactos ambientais.



3.2.2 Lixo urbano e lançamento de esgoto doméstico nas praias

Segundo (FRÉSCA, 2007, apud. NASCIMENTO E, 2009), o lixo é a forma de disposição final de resíduos sólidos, que é caracterizado pela descarga sobre o solo sem medida de proteção ao meio ambiente ou a saúde pública. Nesse caso, infelizmente é bastante comum o acúmulo de lixo doméstico como cocos, garrafas, copos, plásticos em geral e materiais orgânicos na areia (Figura 02) e nas suas margens em várias praias do mundo.

Figura 02. Lixo doméstico em uma praia de Mosqueiro
Fonte: praiasdemosqueiro.blogspot.com


Em Mosqueiro, isso é agravado principalmente nos meses de férias (julho e dezembro), porque não há uma intensificação das ações dos órgãos competentes em saber a destinação desse lixo, assim como é quase inexistente uma política de reeducação ambiental direcionada aos banhistas durante o mês de julho, aliado ainda a insuficiência de lixeiras na orla. Na verdade, todos deveriam ter consciência de sua obrigação de dá uma destinação correta ao lixo que produziu. Por outro lado, é necessário que a Prefeitura Municipal de Belém amplie seus programas direcionados a educação ambiental, principalmente nas praias com maior movimentação, conforme a imagem abaixo:

Mapa 2. Praias com maior movimentação e prioritárias na execução de projetos voltadas a educação ambiental em Mosqueiro (Belém/PA)
Fonte: Autoria própria (2014)


Com base no mapa, as medidas de Educação Ambiental devem contemplar as praias do Farol, Chapéu Virado, Ariramba e Murubira, pelo fato dessa área ter a maior e melhor infraestrutura, com inúmeros bares, restaurantes, farmácias, mercados, praças e consequentemente, ter a maior circulação de pessoas. Esta deve ser a área prioritária dos projetos, inclusive aqueles relacionados ao tratamento de esgoto doméstico despejado por bares e restaurantes na orla, afim de não pôr a saúde dos banhistas em risco.

Caso a situação atual permaneça, os banhistas serão os principais prejudicados, pois estarão em um lugar impróprio para se refrescar do calor. Nesse caso, fica aqui um apelo para que sejam tomadas as devidas providências, como projetos de reeducação e sensibilização ambiental, tratamento do esgoto doméstico de bares e restaurantes da orla, e limpeza urbana mais eficiente em prol da população que frequenta. Alguns dos problemas que os banhistas podem ter são: alergias em geral, verminoses, entre outros. Dessa forma, o blog é a favor da limpeza regular das praias por parte da Prefeitura e dos veranistas também!






3.2.3 Erosão e Poluição sonora


Entre os problemas frequentes, destacamos a ação das marés sobre o relevo, intensificando a erosão nas encostas de algumas praias da ilha, principalmente no norte de Mosqueiro (Baía do Sul, Maraú e Paraíso), em que o poder público tem sido omisso na maioria dos casos, causando indignação por parte dos moradores, por causa da frequência de perdas materiais das barracas de alimentação e de calçadas.

Em relação a poluição sonora, esse é um tipo de problema ambiental mais frequente no mês de julho e de dezembro, principalmente nas áreas com grande quantidade de bares e restaurantes (Mapa 3), porém a Prefeitura tem tomado medidas de contenção para este tipo caso, proibindo o excesso de volume principalmente de carros, a partir das 3h da manhã.


Mapa 3. Áreas com Poluição Sonora frequente em Mosqueiro (Belém/PA)
Fonte: Autoria própria (2014)



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos que a ilha de Mosqueiro vem sofrendo com inúmeras formas de agressão ao meio ambiente, tais como desmatamento, deposição de lixo doméstico em áreas inadequadas, lançamento de esgotos domésticos em algumas praias, erosão e outros, em que a Prefeitura de Belém tem o dever de solucionar tais problemas ou ao menos, amenizar significativamente, para que não surjam adversidades em uma escala maior. Nesse sentido, o referido artigo tem o propósito de chamar atenção das autoridades públicas para tais problemáticas nesta maravilhosa ilha conhecida como bucólica que ao longo dos anos não está sendo cuidada conforme a sua grandiosidade.







5. REFERÊNCIAS

FURTADO, A; JUNIOR, O. Impactos Ambientais do Desmatamento e Expansão Urbana na ilha de Mosqueiro (Belém- PA). Universidade Federal do Pará (UFPA), 2009.

NASCIMENTO, E. Avaliação dos impactos ambientais na região costeira da ilha de Mosqueiro-PA devido a ação antrópica. UNAMA. (Trabalho de conclusão de curso TCC). Belém, 2009.

PREFEITURA MUNICIPAL DE BELÉM. 2014. Disponível em http://www.belem.pa.gov.br/

Praiasdemosqueiro.blogspot.com. 2014. 

VENTURIERI, A. et. al. Avaliação da dinâmica da paisagem da ilha de Mosqueiro, Município de Belém, Pará. Anais do XI Simpósio de Sensoriamento Remoto, Santos. Brasil. 11-18 setembro 1998, INPE.
 












terça-feira, 22 de julho de 2014

Distribuição Espacial dos Cinemas em Belém




Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
* Colaborador no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
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* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@yahoo.com
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1. INTRODUÇÃO

Os cinemas estão entre os espaços de lazer mais procurados pelos moradores das grandes cidades, principalmente nos finais de semana, quando a procura aumenta significativamente, normalmente pelos filmes que estão em cartaz. Em Belém, a maioria desses espaços estão localizados dentro dos shoppings centers, com exceção de quatro, o primeiro é o Cine Olímpia, tendo estrutura própria e sendo o mais antigo do Brasil, inaugurado em 1912; o segundo é o Cine Ópera, o terceiro é o Cine  Líbero Luxardo, enquanto o quarto é o Cine Arte do Pará. Este artigo tem o propósito de mapear as salas de cinema da cidade, elaborando uma carta-imagem sobre a sua distribuição; realizar uma discussão a respeito das localizações e dos fluxos em direção aos mesmos.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para alcançar os propósitos desse artigo, seguimos as seguintes etapas:
a) Identificação dos endereços dos cinemas pela Lista Telefônica de Belém (2012) e pelo Google Maps (2012).
b) Elaboração de mapas temáticos com o software ArcGis 10.1.



3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Cinemas de Belém

O primeiro cinema inaugurado em Belém foi o famoso Cine Olympia, localizado na Av. Presidente Vargas (Campina), em 24 de abril de 1912 durante o período áureo da Belle Époque. Foi fundado pelos empresários Carlos Teixeira e Antônio Martins, donos do Grand Hotel (Atual Hilton Hotel) e do Palace Theatre. (CINEMA OLYMPIA, 2014). Nesse tempo, os cinemas não possuíam poltronas, home theaters, bombonieres, óculos 3D e outros recursos tecnológicos tão difundidos como hoje, porém se constituíam em espaços que refletiam modernidade para época,  visto nos trajes dos frequentadores, da novidade das videografias em espaços fechados e principalmente pela restrição da mídia em que poucos tinham acesso.

Os seus proprietários queriam fazer do Cine Olympia, um espaço "chique", atraindo principalmente os hóspedes do seu hotel e os frequentadores do Teatro da Paz durante a gestão de Antônio Lemos. (Figura 01). É considerado o cinema mais antigo do Brasil desde que se considere que esteve no mesmo lugar e por não ter parado as suas atividades por muito tempo (CINEMA OLYMPIA, 2014). 


Figura 01.  Sala de espera do Cinema Olympia em Belém (1912)

Fonte: www.cinemaolympia.com.br

Desde 1912, muitos cinemas de rua foram construídos na cidade, a exemplo do Cine Iracema, Palácio, Ópera, Nazaré, Cine Art, Guarani e outros (Década de 60-90), porém a maioria já está fechada, com exceção do Cine Arte do Pará, do Olympia na Av. Pte. Vargas; o Ópera na Av. Nazaré e o Cine Líbero Luxardo na Av. Gentil Bitterncourt que resistem (BLOG JOSÉ CARNEIRO). 

Naquele tempo, se formavam extensas filas nas ruas para a compra de ingressos, os nomes dos filmes ficavam em forma de letreiros na parte mais alta do prédio, tínhamos o conhecimento do nome do filme de "boca a boca" ou passando em frente ao cinema (Figura 02). Totalmente diferente dos dias de hoje, onde acessando o site do cinema, já sabemos os horários, os nomes dos filmes, os preços, as indicações e há ao dispor, poltronas modernas, bombonieres e etc (Figura 03)

Figura 02. Pessoas em frente ao Cinema Olympia em Belém (1912)


Fonte: cineolympia.blogspot.com


Figura 03. Cinema de rede famosa no país inteiro (2013)

Fonte: historiadocinemabrasileiro.com.br


3.2 Mapeamento dos cinemas de Belém


Com base no endereço dos cinemas da cidade, via Lista Telefônica, jornais e internet foi realizado o mapeamento pontual desses estabelecimentos e dos empreendimentos que possuem cinemas, como os shoppings, usando o software Google Earth. 

Na maioria das cidades do mundo e em Belém, isto não é exceção, os "cinemas de rua" foram quase suplantados pelas salas de cinemas dos shoppings centers. Com base nas nossas pesquisas, hoje existem 7 grandes espaços de cinema na cidade, sendo 4 localizados em shoppings centers e 3 em ruas importantes. De acordo com o nosso mapeamento, os cinemas estão distribuídos da seguinte forma.

Mapa 01. Distribuição dos cinemas de Belém (2012)
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2012)/ Listel 2012
* Não autorizo a reprodução do mapa sem a prévia comunicação com o autor do blog.


De acordo com o mapa 1, é possível constatar que a maioria dos cinemas estão concentrados no centro da cidade, em bairros de classe média e alta (Batista Campos, Nazaré, Reduto e Campina), com alto poder aquisitivo e maior acessibilidade por transporte. Nesse recorte há 5 grandes espaços de cinema, a saber: Cinema Olympia, Cinemas do Shopping Pátio Belém, Cinemas do Boulevard Shopping, Cine Ópera e Cine Líbero Luxardo. Tais cinemas já se consolidaram na área mais populosa e com maior poder econômico dos habitantes da cidade, porque foram os primeiros a serem construídos.



Por outro lado, há somente 2 grandes espaços de cinema na periferia, a saber: Cinemas do Castanheira Shopping Center e Cinemas do Parque Shopping. Esses cinemas estão em lugares estratégicos, em que os primeiros localizam-se na Rodovia BR-316, na entrada/saída de Belém e sendo um importante ponto polarizador de frequentadores da Região Metropolitana de Belém e de bairros próximos. Os cinemas do Parque Shopping atraem frequentadores dos bairros ao longo da Av. Augusto Montenegro e dos principais condomínios horizontais de classe média-alta, estando em um área com um "boom" imobiliário e populacional.

Ainda retomando o mapa 1, percebe-se que a capital paraense ainda centraliza esses espaços de lazer, já que nenhuma outra cidade da Região Metropolitana tem cinema (Por enquanto). Os cinemas, diferentemente dos teatros e museus [artigos no blog], estão relativamente descentralizados, porque alguns destes estabelecimentos já se encontram entre 8 a 10 km de distância do principal núcleo da cidade. Segundo o levantamento, os bairros com cinemas em Belém são: Campina, Reduto, Nazaré, Batista Campos, Castanheira e Parque Verde, como pode ser visto no mapa 1 abaixo:


Mapa 02. Presença de cinemas nos bairros de Belém (2012)
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2012)/ Listel 2012
* Não autorizo a reprodução do mapa sem a prévia comunicação com o autor do blog.

A instalação desses equipamentos de lazer em áreas cada vez mais afastadas do centro é decorrente da crescente valorização espacial do entorno de Belém, ocasionada pela ação do Estado e por agentes imobiliários, ao dotarem de infraestrutura (Transporte, pavimentação asfáltica, energia elétrica, abastecimento de água, coleta de lixo, entre outros), visando atrair a ação de grandes empresas imobiliárias nessas áreas. Deve-se levar em consideração também, o acúmulo de cinemas no centro da cidade e os preços mais atrativos dos terrenos mais distantes, como fatores propulsores da chegada desses e de outros estabelecimentos na zona de expansão de Belém.
  
Esta tendência de desconcentração tem sido impulsionada principalmente pelos shoppings centers, já que tem sido um dos principais atrativos das âncoras disponíveis nesses empreendimentos. Em breve, Belém vai contar com mais espaços de cinema, desta vez no futuro Shopping Bosque Grão-Pará que será instalado no bairro de Val-de-Cans, nas proximidades dos condomínios e conjuntos residenciais de classe média-alta: Água Cristal, Cristal Ville, Marex e Bela Vista. No município de Ananindeua, em breve, será erguido o Shopping Metrópole Ananindeua, em plena BR-316, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento e permitindo maior acesso de milhares de pessoas da RMB aos mais variados serviços que este empreendimento terá como atração.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível perceber através da carta-imagem e do mapa temático elaborado com o Philcarto que os cinemas em Belém estão concentrados no centro, porém com crescente expansão em direção a zona de expansão da mesma, por meio das instalações dos shoppings centers e dos futuros que serão erguidos. Constata-se a variedade e a quantidade de cinemas em Belém, principalmente aqueles das principais redes atuantes no país, vistos somente nos shoppings centers. É oportuno dizer que alguns cinemas com estrutura própria e antigos resistem na paisagem urbana da cidade, como o Cine Olympia, Cine Ópera e o Cine Líbero Luxardo com a exibição de filmes alternativos, clássicos ou adultos.



5. REFERÊNCIAS


BLOG JOSÉ CARNEIRO. http://josecarneiro.blogspot.com

CINE OLYMPIA. Site: http://espacomunicipalcineolympia.blogspot.com.br/. 01-20/07/2014.

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. http://historiadocinemabrasileiro.com.br

LISTEL. Lista telefônica de Belém, 2014.

Google Maps. http://maps.google.com


Software GOOGLE EARTH. http://earth.google.com










quinta-feira, 24 de abril de 2014

Distribuição Espacial dos Teatros em Belém



Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
*Bolsista na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental)
* Estagiou no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Embrapa da Amazônia Oriental (EMBRAPA)
* Instrutor dos softwares de Cartografia e Geoprocessamento: Philcarto, Phildigit, Google Earth e Adobe Illustrator aplicado a Cartografia Temática
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@yahoo.com
Cursos, mapas, cartogramas, Palestras e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp) 


1. INTRODUÇÃO

A Cartografia é uma prática que consiste no processo de localização de determinada (o) ação, ponto ou fenômeno no espaço geográfico, contribuindo na visualização espacial do objeto de estudo e concomitantemente, favorece descobertas, formas e padrões de seu comportamento. Esta atividade pode ser feita através do software Google Earth e com o Philcarto, sendo utilizado nesse trabalho para mapear os teatros na cidade de Belém e permitir a realização de uma análise crítica sobre a distribuição dos mesmos. Nesse sentido, a Cartografia é essencial na discussão das desigualdades sociais e espaciais através de mapas e cartas-imagens sobre qualquer tema.


Palavras:chave: Cartografia. Belém. Teatros. Google Earth. Philcarto



2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para atingir os objetivos propostos desta postagem, esta pesquisa trilhou as seguintes etapas:
a) Levantamento bibliográfico sobre teatros.
b) Levantamento da localização dos teatros e dos cinemas da cidade de Belém com base no site da Secretaria de Cultura do Pará, da lista telefônica LISTEL e no site de busca Google.
c) Mapeamento pontual dos teatros e dos cinemas com o software Google Earth.
d) Elaboração de um mapa temático no software Philcarto.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Definições de teatros 
3.1.1 Teatros

"O teatro, etimologicamente, é de origem grega, nasceu no século V a.c, como culto ao deus Dionísio. Significava lugar onde as peças eram encenadas e apreciadas pelo público" (MIRANDA, L. et. al 2009, p. 2). A ideia inicial sobre o teatro era de um edificação com a existência de palcos para a apresentação de peças e de um público. Porém, após formulações conceituais, o teatro passou a ser visto não apenas a designação de um espaço físico, mas também como arte de interpretação. Conforme Magaldi (1986), o "ator, o texto e o público" formam a tríade necessária do espetáculo teatral. 



3.2 Mapeamento dos teatros de Belém

Com base no levantamento realizado em nossas fontes, foi detectado 9 teatros na capital paraense, estando distribuídos da seguinte forma:

Carta-imagem 01: Espacialização dos teatros na capital paraense em 2010
(CLIQUE PARA AMPLIAR!!)
Fonte: Autoria própria no Google Earth(2014)
* Não autorizo a modificação ou reprodução da imagem sem a comunicação prévia com o elaborador Luiz Henrique Almeida Gusmão.

Conforme a carta-imagem acima, os teatros em Belém estão concentrados no centro da cidade, principalmente nos bairros: Campina (3), Reduto (1), Umarizal (1), Batista Campos (1), Nazaré (1) e São Brás (1), em contraste com somente 1 teatro fora desse eixo, corroborando a existência da desigualdade socioespacial desses espaços de lazer, por causa da localização privilegiada nas áreas mais nobres.

A maior parte dos teatros de Belém foi construído entre o século XVII e XIX, quando a cidade estava circunscrita até a Primeira Légua Patrimonial e o seu entorno ainda não possuía um contingente populacional expressivo, por isto a aglomeração no seu centro. É perceptível  a distribuição desigual dos teatros em Belém no seu tecido urbano, conforme o mapa abaixo:


Mapa 01. Belém - Existência de teatros nos bairros em 2010

Fonte: Autoria própria (2014)
* Não autorizo a modificação ou reprodução da imagem sem a comunicação prévia com o elaborador Luiz Henrique Almeida Gusmão.


Nota-se que apenas 7 bairros de Belém são contemplados por teatros, equivalente a 11% do total e ainda estão aglutinados, no qual a maioria está circunscrito a área central ou muito próxima a ela. É visível a inexistência desses espaços de lazer na zona norte (Distrito de Icoaraci, de Outeiro e do Bengui); na zona sul (Distrito do Guamá) e na zona oeste e leste (Distrito do Entroncamento e Sacramenta), nos dando indicativos que o crescimento da malha urbana da cidade não foi acompanhado pela expansão desse equipamento de lazer.

A partir do mapa é possível vê as longas distâncias que muitos moradores, principalmente dos bairros periféricos e mais afastados, têm que percorrer até algum bairro com teatro. A centralização dos teatros dificulta o acesso notadamente dos moradores de bairros mais longínquos e isso se agrava, quando estes dependem exclusivamente de transporte público, pois muitas vezes o tempo de deslocamento é enorme, podendo gerar desmotivação e até exclusão pelo difícil ingresso.

O local que poderia ser implantando um novo teatro, com boas condições de acessibilidade e infraestrutura ao redor, é na Av. Augusto Montenegro, no bairro do Parque Verde, haja vista que este localiza-se em um ponto estratégico na zona norte de Belém. 

Segue abaixo, o endereço de todos os teatros de Belém para aqueles que pensam ou querem assistir alguma peça teatral em cartaz ou não.

1. Teatro da Paz (Campina)
Endereço: Av. da Paz na praça da República.
Telefone: 4009-8750


2. Teatro Experimental Waldemar Henrique (Campina)
Endereço: Av. Presidente Vargas na praça da República.
Telefone: 3222-4762



3. Teatro Maria Silva Nunes - Estação das Docas (Campina)
Endereço: Av. Boulevard Castilho França no Complexo da Estação das Docas.
Telefone: 3212-5525


4. Teatro Cuíra (Reduto)
Endereço: Rua Riachuelo com Tv. Primeiro de Março
Telefone: 3246-4830


5. Teatro Margarida Schivassapa (Batista Campos)
Endereço: Av. Gentil Bittencourt entre Tv. Rui Barbosa e Tv. Quintino Bocaiúva (Centro Turístico do Pará- CENTUR)
Telefone: 3202-4399


6. Teatro Cláudio Barradas (Umarizal)
Endereço: Rua Jerônimo Pimentel entre Tv. D. Romualdo de Seixas e Tv. D. Romualdo Coelho.


7. Teatro Carlos Barros (Nazaré)
Endereço: Travessa Dr. Moraes entre a Rua Cmt. Brás de Aguiar e Av. Gentil Bittencourt


8. Teatro Estação Gasômetro (São Brás)
Endereço: Av. Magalhães Barata entre Tv. 9 de janeiro e Tv. 3 de maio - Parque da Residência.


9. Teatro Gabriel Hermes - SESI (Marco) 
Endereço: Av. Almirante Barroso esquina com a Av. Dr. Freitas, próximo a Feira da Bandeira Branca.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há um adensamento dos teatros no centro da cidade de Belém, principalmente nos bairros mais bem estruturados, nobres e de classe média e alta, em contraste com a inexistência desses espaços na periferia. É necessário expandir esses locais de lazer e cultura para a periferia, descentralizando-os e democratizando-os no espaço belenense. Nesse sentido, a Cartografia por meio de cartas e mapas torna-se essencial não somente no mapeamento e espacialização, mas também na capacidade de nos dá uma nova visão e interpretação sobre o espaço geográfico em questão. Espero que o presente artigo possa inspira em outros, na construção de um discurso com o intuito de reduzir das desigualdades espaciais e sociais no que se refere à promoção de eventos culturais, como aqueles realizados nos teatros.


5. REFERÊNCIAS

MAGALDI, S. Iniciação ao teatro. 3 ed. São Paulo: Editora Ática, 1986.

MIRANDA, L. Teatro e a escola: funções, importâncias e práticas. Revista CEPPG. Centro de Ensino Superior de Catalão. Ano XI. N. 20. Catalão/GO. 2009.

GOOGLE. Software Google Earth. 2014.

WANIEZ, P. Software Philcarto. Disponível em http:philcarto.free.fr. 2014.