segunda-feira, 20 de junho de 2016

Cartografia e IDH da Região Metropolitana de Belém

 Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
*Editor-chefe e Proprietário do Blog Geografia, Geoprocessamento e Cartografia Digital de Belém
*Colaborador em Geoprocessamento e Cartografia no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: ArcGis, Qgis, Philcarto, Phildigit e Google Earth Pro.
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com ou luizhenrique.ufpa@yahoo.com
Cursos, Mapas, Projetos, Cartogramas e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp)


1. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Conforme o PNUD (2016), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um meio de mensurar e comparar as condições de vida de um país, estado ou regiões metropolitanas. O Desenvolvimento Humano não deve ser avaliado apenas no aspecto econômico, sendo necessário acrescentar as questões sociais, culturais e políticas nesta mensuração. O IDH reúne três dos requisitos indispensáveis para a expansão da liberdade das pessoas: a oportunidade de se levar uma vida longa (Saúde); o acesso ao conhecimento (Educação) e a capacidade de desfrutar de um padrão de vida digno (Renda), como está ilustrado abaixo:


Figura 1. As três dimensões avaliadas pelo IDH
Fonte: PNUD/ONU (2010)

Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), os três aspectos são medidos da seguinte maneira:

- SAÚDE (Medida pela Expectativa de Vida)

- EDUCAÇÃO (Média dos anos de educação de adultos durante a vida por pessoas a partir dos 25 anos; Expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar; Número total de anos que uma criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idades permanecerem os mesmos durante a vida da criança)

- PADRÃO DE VIDA/RENDA (Medida pela Renda Nacional Bruta per capita expressa em poder de paridade de compra - PPP constante, em dólar, tendo 2005 como referência)




Figura 2. Como entender o IDH
Fonte: PNUD/ONU (2010)


2. Índice de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Belém (IDH)

A partir das variáveis: saúde, educação e renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) avaliou com base nos dados do IBGE (2000; 2010) todas as Regiões Metropolitanas Brasileiras, porém vamos considerar apenas a de Belém no Estado do Pará.

A Região Metropolitana de Belém no Estado do Pará é constituída por 7 municípios (Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará e Castanhal) que juntos possuem uma população de 2.402.438 habitantes (IBGE, 2014) e um PIB de R$36.744.149.000,00 (IBGE, 2011).


Mapa 01. Região Metropolitana de Belém no Estado do Pará
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão
*Solicite o preço para a compra deste mapa; O mapa é uma amostra de trabalho

Na Região Metropolitana de Belém, as desigualdades sociais são latentes assim como em grande parte das demais áreas metropolitanas brasileiras, principalmente quando avaliamos aspectos como o acesso a educação, a expectativa de vida e a renda. Nos mapas elaborados pela ONU fica evidente que a RMB é um espaço multifacetado, pois é constituído por vários fragmentos territoriais heterogêneos, onde é visível que as condições de vida são completamente diferentes, variando de "Muito Baixo" na maior parte da periferia a "Muito Alto" no centro da metrópole, conforme podemos vê abaixo:


Figura 1. IDHM da Região Metropolitana de Belém (2000)



Figura 2. IDHM da Região Metropolitana de Belém - Zoom (2000)


Fonte: PNUD/ONU (2015)

As figuras evidenciam a forte segregação socio-espacial na RMB, mostrando que as áreas com os melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2000 estavam situados no centro e arredores de Belém (Nazaré, Reduto, Batista Campos, Umarizal, Cidade Velha, Marco, São Bráz, Val-de-Cans, Souza, Fátima, parte da Cremação e Miramar; nos arredores do bairro Coqueiro (Cidade Nova) em Ananindeua e na área central de Castanhal, enquanto as áreas mais desfavorecidas estavam no Norte e no Extremo Sul de Belém e Ananindeua; Grande parte de Marituba, Benevides, Santa Isabel do Pará e de Castanhal. 

Quando comparamos com a realidade encontrada em 2010, podemos perceber nitidamente que grande parte da periferia da RMB melhorou sensivelmente a qualidade de vida (Figura 3), em grande parte pelos recursos financeiros oriundos de programas assistencialistas do Governo Federal (Bolsa Família) que permitiu maior capacidade de compra, melhoria no acesso a educação e a saúde dos mais necessitados. Por outro lado, as condições de vida entre os moradores ainda são desiguais (Figura 3), já que a alta escolaridade, as melhores expectativas de vida e condições de acesso a uma renda satisfatória ainda são mais fortes no centro de Belém. Vale ressaltar a melhor condição verificada em alguns condomínios horizontais mais afastados do centro, como aqueles encontrados na Av. Augusto Montenegro, Rod. Mário Covas (Norte de Belém) e Rodovia BR-316; em alguns bairros de Ananindeua (Coqueiro e Levilândia) e no centro de Castanhal.



Figura 3. IDHM da Região Metropolitana de Belém (2010)
Fonte: PNUD/ONU (2015)


Com base na figura 3, percebe-se claramente a constituição de verdadeiros enclaves na periferia da Região Metropolitana de Belém, essencialmente na metrópole, onde coexistem unidades com IDH Muito Alto e IDH Médio, principalmente no Norte de Belém, ao longo da Avenida Augusto Montenegro. Isso é resultado da instalação de diversos condomínios de luxo e de classe média, contrastando significativamente com o seu entorno, onde há famílias com condições de vida inferiores no que se refere aos critérios apontados pela ONU: Educação, Renda e Saúde, como podemos visualizar um exemplo espacial no bairro da Pratinha (Figura 4) em Belém. 



Figura 4. Contraste social em parte do bairro da Pratinha em Belém/PA
Fonte: Google Earth (2015)

O padrão entre as duas unidades são completamente diferentes, apesar de estarem próximas geograficamente. A unidade em amarelo (IDHM Médio - Área de Ocupação Espontânea) é ocupada por uma população mais carente, com recursos financeiros limitados e baixos níveis de escolaridade em comparação com a área em azul (IDHM Muito Alto - Condomínio de Classe Alta), onde a renda e o nível de escolaridade é mais alta. Normalmente esses enclaves estão situados ao longo de avenidas arteriais que ligam partes importantes da cidade e mostram que cada vez mais, pessoas com alto poder aquisitivo têm se distanciado do centro da cidade, com o intuito de residir em imóveis exclusivos, amplos, seguros e com uma infraestrutura de lazer completa. Esses indicadores são reflexos da paisagem urbana de Belém e da sua organização espacial, como podemos ver em fotos da cidade abaixo:


Figura 5. Área com IDH Médio em relação a outra com IDH Alto - Contraste social a partir do bairro da Terra Firme em Belém/PA



Figura 6. Área com IDH Muito Elevado - Avenida Visconde de Souza Franco (Divisa entre o bairro do Umarizal e Reduto)



Figura 7. Área com IDH baixo - Canal do Tucunduba no Guamá em Belém/PA




Figura 8 - Área com IDH Muito Alto e Alto



2. CONCLUSÕES



Os mapas e os conteúdos disponibilizados no Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas são ótimos materiais para analisar e compreender a configuração dos principais aglomerados urbanos do Brasil. Em relação a organização espacial da Região Metropolitana de Belém a partir dos critérios da ONU, foi possível visualizar as desigualdades sociais latentes entre as unidades mapeadas, principalmente entre os bairros centrais de Belém e Ananindeua em comparação aos demais municípios. É necessário continuar avançando para elevar o desenvolvimento humano dos municípios em questão, buscando nivelar a qualidade de vida entre os moradores a um padrão digno com sustentabilidade.






3. REFERÊNCIAS

Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras - Brasília: PNUD, Ipea, FJP, 2014. 120 p. - (Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil). Disponível em http://www.pnud.org.br/arquivos/AtlasdoDesenvolvimentoHumanonasRegi%C3%B5esMetropolitanas.pdf. Acesso em 10/05/2016.