quarta-feira, 13 de julho de 2016

Arborização Viária de Belém - Mapeamento via Google Earth Pro




Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
* Colaborador em Geoprocessamento e Cartografia no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: ArcGis, Qgis, Philcarto, Phildigit e Google Earth Pro.
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com 
Cursos, Mapas, Projetos, Cartogramas e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp)



1. Arborização Viária 

A arborização viária é uma importante ferramenta para o planejamento urbano por prover benefícios sociais, econômicos e ambientais que proporcionam uma melhor qualidade de vida, sendo imprescindível estar inserida em programas de gestão urbana (SANTOS, T, et. al. 2012), principalmente em cidades tropicais e equatoriais, onde a temperatura é bastante elevada. A implantação e manutenção de corredores urbanos verdes é necessária na atual conjuntura das cidades, uma vez que a intensificação do processo de urbanização tem contribuído para: o aumento da sensação térmica através do aquecimento dos gases emitidos pelos carburadores de veículos cada vez mais presentes nas ruas; a frequente pavimentação asfáltica sem o devido planejamento arbóreo; construção de edifícios comerciais e residenciais com alto poder de retenção de calor, entre outras ações que aumentam o calor. É recomendável que a arborização esteja presente em grandes e movimentados corredores de pedestres e veículos (Figura 1), justamente para aliviar a a sensação de calor para um maior número de pessoas. As fotos abaixo ilustram os conhecidos corredores urbanos verdes ou "Urban Green Ways" em Belém/PA. 


Figura 1. Túnel de Mangueiras na Av. Presidente Vargas em Belém/PA (Brasil)
Fonte: Street View (Google Earth Pro)

Figura 2. Túnel de Mangueiras na Av. Generalíssimo Deodoro em Belém/PA (Brasil)
Fonte: Street View (Google Earth Pro)


A sociedade percebe imediatamente a importância das árvores nas vias, principalmente quando as pessoas estão fazendo o seu percurso a pé, diretamente expostas a radiação solar. Nesse contexto, a arborização é vital para o equilíbrio térmico das cidades, reduzindo significativamente a sensação de calor pela interceptação de até 98% da radiação solar (HEISLER, 1974 apud GREY e DENEKE, 1978). A arborização urbana tem inúmeros benefícios sociais, ambientais e econômicos (Figura 2), por isso sempre deve estar presente na pauta das políticas públicas das prefeituras.


Figura 2. Benefícios das árvores
Fonte: Adaptado de www.blogolista.com


No Brasil, assim como em grande parte dos países do mundo, o percentual de domicílios com arborização é bastante desigual. Entre as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes; Goiânia (GO), Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG) lideram a lista com mais de 83% dos seus domicílios com arborização no seu entorno, enquanto que Brasília (DF), São Luiz (MA), Manaus (AM) e Belém (PA) possuem as menores taxas, abaixo de 32,7%, apesar das duas últimas estarem localizadas na Amazônia, o que demostra o descaso e o fraco planejamento urbano sem levar em consideração à arborização.

Figura 3. Percentual da Arborização entre as maiores cidades do Brasil
Fonte: IBGE (2010); Gráfico salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com



2. Mapeamento dos Corredores Verdes Urbanos no Google Earth Pro em Belém/PA

Os Corredores Verdes Urbanos (Urban Green Ways) são áreas urbanas que dispõem de árvores em formato linear (Figura 4) exercendo funções ecológicas (interligação com outras áreas verdes como praças e parques), estéticas (deixando o ambiente mais agradável) e culturais (tornando o ambiente propício para atividades recreativas), melhorando significativamente a qualidade de vida do cidadão, uma vez que diminui a incidência das ilhas de calor, amenina as inundações e problemas respiratórios, por exemplo.


Figura 4. Corredores Verdes em imagens de satélite de Belém/PA
Fonte: Google Earth Pro (16/07/2015)



O mapeamento dos Corredores Verdes na cidade de Belém contemplou a análise de imagens aéreas de 25 bairros da cidade através do software Google Earth Pro, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html pela disponibilidade de imagens de satélite recentes (16/07/2015) com boa resolução espacial. O mapeamento dos corredores verdes de Belém (Mapa 1) ficou restrito apenas para as vias com alto grau de sombreamento oferecido pelas árvores, como as imagens acima mostraram. O total da quilometragem de Corredores Verdes foi de 39,10 Km, em que destacaram-se a Av. Marquês de Herval (2,67 Km), Av. Nazaré/Av. Gov. Magalhães Barata (2,58 Km) e a Av. 25 de Setembro (2,40 Km), como mostra o mapa abaixo:



Mapa 01. Corredores Verdes/Arborizados de Belém/PA
Fonte: Autoria Própria (2016)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor


Analisando a distribuição dos "Green Ways" no mapa, os bairros de Nazaré, Batista Campos e Umarizal concentram grande parte das vias arborizadas, em decorrência da presença de Mangueiras plantadas no período da Belle Epoque (Século XVIII), principalmente nas proximidades de praças e parques do centro da cidade. É visível que muitos bairros não possuem corredores arborizados ou possuem minúsculos trechos arborizados, essencialmente aqueles que tiveram uma ocupação espontânea acelerada como o bairro do Guamá, Jurunas, Condor, Terra Firme, Fátima, Sacramenta, entre outros. 

Algumas imagens dos bairros oriundas do Google Earth Pro estão expostas abaixo para mostrar a extensão desses corredores verdes, normalmente presentes em áreas valorizadas, cercadas de prédios de classe média e alta no centro de Belém.


Figura 5. Green Ways do bairro de Nazaré (Esquerdo) e de Batista Campos (Direito)
Fonte: Google Earth Pro (2016)


Figura 6. Green Ways do bairro do Umarizal
Fonte: Google Earth Pro (2016)

É necessário a implantação de vias arborizadas, notadamente em áreas com alta densidade demográfica (Guamá, Terra Firme, Marco, Jurunas, Batista Campos, Castanheira, Telégrafo, Sacramenta, Campina, etc) e circulação de pessoas (Próximo das principais avenidas, comércio, praças, etc). Os corredores verdes devem ser implantados nas elipses azuis, enquanto nas elipses vermelhas, deve haver uma ligação entre os corredores verdes já existentes, como podemos visualizar no mapa abaixo:


Mapa 02. Projeto de Corredores Verdes de Belém/PA
Fonte: Autoria Própria (2016)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor


3. CONCLUSÃO

A arborização nos centros urbanos é uma prática indispensável na contemporaneidade, pois possui impacto direto no bem-estar da população e melhora a sensação térmica nas cidades, principalmente naquelas que possuem um ritmo de crescimento acelerado (Verticalização e Expansão Horizontal), em que o software Google Earth pode ser uma poderosa ferramenta para mapear vias arborizadas, devido a sua disponibilização de imagens aéreas recentes e de excelente qualidade. No caso particular da cidade de Belém (Pará - Amazônia) que é uma metrópole com mais de 1.400.000 habitantes de clima equatorial (Quente e úmido), percebe-se uma carência de corredores urbanos arborizados, principalmente na periferia, mas também em áreas consideráveis do centro da cidade. A arborização é concentrada nos bairros mais valorizados da cidade (Nazaré, Batista Campos e Umarizal), devido a implantação e conservação de mangueiras desde a Era Lemos (Século XIX). É recomendável ampliar as vias arborizadas em Belém, principalmente na periferia da cidade, visando aumentar a capacidade de retenção de calor pelas árvores e assim, melhorar o conforto térmico da população.


4. REFERÊNCIAS


GREY, G.M. & DENEKE, F.J. Urban Forestry. New York: John Wizey, 1978. 279p. 

HEISLER, G.M. Trees and human confort in urban areas. J.For., v. 72, n. 8, p. 462-469. 1974


MILLER, R.W. Urban forestry: planning and managing urban greenspaces. 2 ed. New Jersey, Prentice Hall, 1997. 502p.

SANTIAGO, A. de C. Arborização de cidades. Campinas: Secretaria da Agricultura, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, 1970. 49 p. (Boletim Técnico SCR, 64). 

PIVETTA, K; FILHO, D. Arborização Urbana. Boletim Acadêmico. Série Arborização Urbana. Jaboticabal, 2002.

5. SERVIÇOS DE GEOPROCESSAMENTO E CARTOGRAFIA