quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cartografia da Atividade Madeireira na Amazônia Legal



Luiz Henrique Almeida Gusmão
*Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
*Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
*Colaborador em Geoprocessamento e Cartografia no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: ArcGis, Qgis, Philcarto, Phildigit e Google Earth Pro.
*Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com 
Cursos, Mapas, Projetos, Cartogramas e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (Whatsapp)



1. Atividade madeireira na Amazônia Legal

A Amazônia Legal é uma das principais regiões produtoras de madeira tropical no mundo (Mapa 1), atrás somente da Malásia e da Indonésia (OIMT, 2006). A exploração e o processamento da madeira estão entre as principais atividades econômicas, junto com agropecuária e a mineração (Veríssimo et al, 2006). Segundo o Imazon (2004), a atividade madeireira impulsiona diretamente a economia de vários municípios amazônicos, contribuindo para geração de 400 mil empregos, cerca de 5% da população economicamente ativa e gera uma receita de US$ 2,3 bilhões. Conforme o IBGE (2015), a Amazônia Legal foi responsável por 11.368.851 m³ de toras de madeira e detém 92,3% de toda a produção brasileira, avaliada em 12.308.702 m³.


Mapa 1. Origem e Produção de madeira do Brasil - 2015
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2016)
Fonte dos dados: IBGE (2015)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor


No mapa acima, fica evidente a representatividade da Amazônia Legal como a principal região de extração e comercialização de madeira do Brasil. Segundo Homma (2011), a extração madeireira na Amazônia foi impulsionada pelo crescimento do mercado interno e externo, do esgotamento das reservas da Mata Atlântica, da abertura de rodovias e da expansão da fronteira agrícola. Ou seja, a quase extinção da mata atlântica e a rigidez das delimitações das áreas protegidas nesse bioma, forçaram o mercado a buscar madeira em áreas remotas do país, a região amazônica, onde havia abundância de recursos e as leis de proteção ambiental ainda não estavam totalmente regulamentadas (Figura 1 e 2).


Figura 1. Início da abertura de Rodovia Transamazônica na década de 60
Fonte: http://adrielsonfurtado.blogspot.com.br/

Figura 2. Rodovia Transamazônica na atualidade 


Conforme o IBGE (2015), os principais exportadores de madeira são: Pará (36,5%), Mato Grosso (27%) e Rondônia (16,4%), seguido pelo Amazonas (6,5%), Amapá (5,9%), Roraima (3,2%), Acre (2,5%), Maranhão (1,2%) e Tocantins (0,8%), visto na figura 03. A abertura de rodovias foi primordial para adentar a floresta amazônica e assim, permitir a busca de um dos seus principais recursos: a madeira. A inauguração de rodovias como a Belém-Brasília, Transamazônica, Cuiabá-Rio Branco e tantas outras, iniciaram um ciclo de devastação do bioma amazônico. Nesse sentido, há uma correlação direta entre as rodovias com pavimentadas e melhor estruturadas com os principais estados exploradores de madeira na Amazônia.


Figura 3. Percentual por estado no comércio de madeira na Amazônia Legal

Como já dissemos, os três maiores exportadores de madeira da Amazônia Legal (PA, MT e RO) são responsáveis por quase 80% de toda a produção (IBGE, 2015), contribuindo para que existam polos madeireiros (Mapa 2), onde a produção é significativa para a região ou Estado, o histórico de colonização foi baseado na atividade madeireira, o tempo de exploração do recurso é longo, as condições de acessibilidade são boas e permitem a atividade, assim como a grande variedade dos tipos de floresta existentes no local auxiliam a diversificação da atividade. (IMAZON, 2010).

Mapa 2. Zonas madeireiras na Amazônia Legal - 2009 
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2016)
Fonte dos dados: Imazon (2010) 
http://www.mma.gov.br/estruturas/sfb/_arquivos/miolo_resexec_polo_03_95_1.pdf
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor

Conforme o mapa acima, com base nos dados do Imazon (2010), o Estado do Pará possui 4 zonas madeireiras, com destaque para o Leste (21% da produção) e o Estuário com 13%. No Mato Grosso há 3 zonas, destacando-se o Noroeste com 12% e o Centro com 11%, enquanto no Estado de Rondônia, há 3 zonas, destacando o Norte com 10%. Os mesmos estados que possuem as maiores zonas madeireiras também são os que mais contribuem com o desflorestamento da floresta amazônica. Atualmente, 22 municípios amazônicos produzem o equivalente a 50,7% de toda a madeira da região (Mapa 3), destacando-se Portel/PA com (980.000 m³), Porto Velho/RO (572.312 m³), Aripuanã/MT (526.841 m³), Colniza/MT (340.267 m³) e Santarém/PA (322.660 m³). 


Mapa 3. Maiores exportadores de madeira da Amazônia Legal - 2015
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2016)
Fonte dos dados: IBGE (2015)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor

Em uma breve análise espacial do mapa acima, dos 22 maiores exportadores de madeira da Amazônia Legal, percebe-se que 5 grandes polos (Itacoatiara, Juruti, Santarém, Prainha e Gurupá) estão as margens do Rio Amazonas, que é uma das principais vias de escoamento, e outros 4 estão em afluentes do Amazonas (Manicoré, Rorainópolis, Portel e Laranjal do Jari), representando 41% do total de municípios. Há um eixo entre o Norte e Noroeste do Mato Grosso com o Norte de Rondônia, onde há 9 municípios (Feliz Natal, Tabaporã, Juara, Juína, Aripuanã, Colniza, Machadinho D' oeste, Candeias do Jamari e Porto Velho), totalizando 41% do total, enquanto os demais municípios: Pimenta Bueno, Paragominas, Santana do Araguaia e Porto Grande não estão em "nós" madeireiros.


2. Conclusões

A exploração e processamento da madeira está concentrada no estado do Pará, Mato Grosso e Rondônia, onde há grandes zonas madeireiras, constituídas pelos principais municípios exportadores desse recurso natural. O Rio Amazonas e as rodovias interestaduais são as principais vias de escoamento da madeira da Amazônia Legal em direção aos principais mercadores consumidores brasileiros e internacionais. O governo brasileiro deve intensificar as fiscalizações no combate ilegal da madeira da Amazônia, em que as Geotecnologias são essenciais nas análises espaciais dos recursos naturais, pois através da coleta, processamento e do armazenamento dos dados, é possível realizar avaliações precisas sobre a distribuição espacial de qualquer elemento, das queimadas e das áreas desflorestadas, assim como auxiliar várias tomadas de decisões para gerenciar melhor o território.


3. Referências

IBGE, 2015. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=t&o=18&i=P&c=289. Acesso em 01/11/2016.

HOMMA, 2011. Madeira na Amazônia: Extração, manejo ou reflorestamento?. Amazônia: Ci & Desenv., Belém, v.7, n. 13, jul/dez, 2011. https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/944362/1/HommaAmazonia.pdf. Acesso em 20/11/2016.

OIMT, 2006. Reseña anual y evaluación de la situación mundial de las maderas. 2006. Organización Internacional de las Maderas Tropicales. Yokohama, Japón. OIMT. 210 p.

Veríssimo, A.; Barreto, P.; Mattos, M.; Tarifa, R. & Uhl, C. 1992. Logging impacts and prospects for sustainable forest management in an old Amazonian frontier: the case of Paragominas. Forest Ecology and Management 55: 169-199.

A atividade madeireira na Amazônia brasileira: produção, receita e mercados / Serviço Florestal Brasileiro, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Belém, PA: Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 2010.