sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Transporte Hidroviário e Mobilidade Urbana em Belém



Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe e proprietário do Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém
* Colaborador em Geoprocessamento e Cartografia no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
* Instrutor dos softwares de Cartografia: ArcGis, Qgis, Philcarto, Phildigit e Google Earth Pro.
* Contatos: henrique.ufpa@hotmail.com 
Cursos, Mapas, Projetos, Cartogramas e Consultoria em Geotecnologias - (091) 98306-5306 (WhatsApp)


1. Transporte Hidroviário e Mobilidade Urbana em Belém/PA

A mobilidade urbana está entre as principais pautas dos governos municipais do Brasil, pois toda a sociedade sente o reflexo negativo da ineficiência do planejamento urbano pelas prefeituras, principalmente nas grandes cidades, onde é mais evidente os conflitos gerados pelas políticas voltadas para área de transporte. A melhoria da renda da população de classe média e alta, os incentivos promovidos pelo Governo Federal, a baixa qualidade do transporte público, a carência de políticas que priorizem o transporte coletivo e o planejamento inadequado para o fluxo de pessoas nas cidades contribuíram para um ritmo crescente do número de veículos e congestionamentos.

Em Belém, as políticas de transporte coletivo, por meio terrestre e principalmente a fluvial, foram muito escassas durante décadas, o que gerou grandes prejuízos a população, tais como o agravamento da segregação socioespacial, a rotina de grandes congestionamentos, a deterioração da qualidade de vida da população que reside nas periferias, entre outros motivos. 


Belém, diferentemente de outras grandes capitais brasileiras, é bastante privilegiada pela sua localização geográfica, rodeada de rios e baías, porém pouco utilizada com fins de mobilidade urbana (Figura 1), sendo um verdadeiro descaso, pois não houve interesse por parte do poder público em ampliar as possibilidades de circulação dos habitantes pelos rios.  


Figura 01. Município de Belém/PA

Fonte: Google Earth Pro (2016)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão

Na imagem de satélite acima, é possível ver que a cidade é banhada pelo Rio Guamá ao sul, pela Baía de Guajará a oeste e Baía de Santo Antônio ao norte, com saída para o Oceano Atlântico, em um total de 76 km de área litorânea. Isso quer dizer que é possível sair do sul da cidade, do bairro do Curió-Utinga ou da UFPA e ir para o norte, no bairro da Baía do Sol em Mosqueiro. Grandes cidades como Belo Horizonte, Brasília e São Paulo buscam medidas alternativas para transportar passageiros na sua área urbana, principalmente de maneira subterrânea (metrôs), haja vista não possuírem grandes rios ou baías navegáveis como Belém (Figura 2, 3 e 4):

Figura 2. Município de Belo Horizonte/MG
Fonte: Google Earth (2016)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão 


Figura 3. Brasília/DF
Fonte: Google Earth (2016)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


Figura 4. Município de São Paulo/SP
Fonte: Google Earth (2016)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão

Na Região Metropolitana de Belém, mais de 2 milhões de pessoas sentem diariamente as consequências da ineficiência das políticas de transporte coletivo, seja através dos congestionamentos ou da baixa qualidade do serviço prestado (Figura 5 e 6). A sensação de stress e ansiedade são as mais comuns nas pessoas que ficam muito tempo "presas" em congestionamentos na cidade. Se elas estiverem usando o transporte público, acrescente a fadiga muscular, o calor e o desconforto dentro dos ônibus.



Figura 5. Congestionamento próximo a entrada de Belém
Fonte: galerias.orm.com.br

Figura 6. Congestionamento na BR-316

Em Belém, o transporte fluvial ocorre espontaneamente com pouca participação do poder público, sendo operado principalmente pela iniciativa privada, ainda de maneira isolada do sistema de transporte urbano e tem pouco alcance. Os rios ao redor da capital paraense devem ser obrigatoriamente usados como vias de transporte, interligando pontos com concentração de empregos, áreas críticas de congestionamento a zonas com forte densidade demográfica (essencialmente as periferias urbanas). Áreas com alta demanda de transporte coletivo terrestre devem ser levadas em consideração também na implantação do sistema urbano fluvial.

Na cidade, lugares como a UFPA, o bairro do Guamá, a ilha do Combu, o Portal da Amazônia, a área adjacente ao Mercado do Ver-o-peso, o Complexo Ver-o-rio, o bairro do Telégrafo, o bairro do Tapanã, o bairro do Paracuri, o bairro do Cruzeiro, a ilha de Cotijuba, a ilha de Outeiro, o bairro da Vila (Mosqueiro) e o bairro da Farol (Mosqueiro) são excelentes pontos para terminais hidroviários de médio porte, sem luxo, mas que realmente podem complementar o sistema de transporte urbano caótico da cidade.  A sensibilização para o uso do transporte coletivo fluvial (Figura 6), medidas compensatórias para quem prioriza o transporte, preços atrativos e menores do que os das linhas de ônibus e o grande alcance dos barcos são pontos importantes para o sucesso da iniciativa.


Figura 6. Exemplo de barco que poderia ser implantado em Belém com finalidade de mobilidade urbana
Fonte: EmMovimentoSE


2. CONCLUSÃO

A rotina de congestionamento, a emissão de gases poluentes, o desconforto dos passageiros no transporte coletivo por ônibus, a precariedade do sistema de transporte público e a falta de opções de deslocamento na área urbana de Belém são mais do que motivos para se implantar o mais rapidamente possível, o transporte coletivo fluvial, pois grande parte da população da cidade está sendo prejudicada pelo sistema atual de transporte viário, fadado ao fracasso, sendo que há um enorme potencial natural para o transporte através de barcos. A busca por uma cidade mais sustentável, democrática e acessível, deve ser alcançada com a implantação de um transporte coletivo fluvial que deve beneficiar diretamente quase 1.000.000 de pessoas, principalmente as camadas menos favorecidas, mas que também surtirá efeito em todas as classes sociais da Região Metropolitana de Belém, já que o trânsito caótico está entre as grandes reclamações da sociedade. O uso das águas para mobilidade urbana seria um dos maiores presentes que a população de Belém e das cidades metropolitanas iriam ganhar, pois todos seriam beneficiados de maneira direta ou indireta.


3. REFLEXÃO

E você cidadão? O que você pensa a respeito? Está satisfeito com o deslocamento na sua cidade? Você trocaria o uso do automóvel ou moto por um barco confortável? Você não gostaria de contribuir para uma cidade mais sustentável? menos poluente? menos congestionada? mais organizada? Gostaria de contribuir para um mundo melhor? Ter outras formas de se deslocar na cidade? Ter mais tempo para o seu lazer? Mais tempo para fazer outras atividades? Verdadeiramente lutar para um meio ambiente mais equilibrado? Ou você apenas pensa em fazer, mas na prática, tem preguiça ou apenas sabe falar? Conte para nós o que pensa sobre o uso de barcos no deslocamento da sua cidade. Queremos ouvir a sua voz!


4. REFERÊNCIAS

Software Google Earth Pro (GOOGLE). Disponível em <https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html>


5. SERVIÇOS DE CARTOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO