terça-feira, 2 de maio de 2017

Cartografia das cidades mais violentas por arma de fogo no Pará



Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Editor chefe, Proprietário e Cartógrafo - Blog Geografia e Cartografia Digital
* Foi Bolsista CNPq - DTI (Desenvolvimento Tecnológico Industrial) no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental)
* Contato: henrique.ufpa@hotmail.com

*Mapas em Geral, Cartogramas, Cursos, Projetos de Geoprocessamento, Palestras e Consultoria em Geotecnologia:  091 (98306-5306) - WhatsApp


1. Homicídios no Pará por arma de fogo

As crescentes taxas de homicídios através de armas de fogo no Brasil colocam a população exposta a constantes riscos à saúde, o que torna esse tema um dos prioritários na adoção de políticas públicas.  As lesões por Projétil de Arma de Fogo são as principais causas do aumento nas mortes por homicídio no Brasil (TRINDADE, et. al, 2015).

Em 2014, o Estado do Pará, localizado no Norte do Brasil (Mapa 1), foi o 9° em homicídios por arma de fogo com índice de 28,5 mortes por 100.000 habitantes, acima da média brasileira de 21,2, e, portanto, sendo o mais violento da Amazônia e da Região Norte.


Mapa 01. Localização do Estado do Pará no Brasil
*É proibido usar sem a autorização prévia do autor. Entrar em contato para adaptar a figura ou mapa para trabalho acadêmico.


Os estados brasileiros que se destacam com as maiores taxas de homicídio por arma de fogo são: Alagoas, Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte e Espírito Santo (Gráfico 1). A maioria está na Região Nordeste e todos na costa atlântica.



Gráfico 1. Taxas de homicídio por arma de fogo (por 100 mil nas unidades da federação do Brasil, 2014.
Fonte: Mapa da Violência (2016)


Nos últimos 14 anos (2004-2014), o Estado do Pará teve uma variação de 96,9% nas mortes por arma de fogo, colocando-o em 10° lugar, muito acima de média brasileira de 11,1%. Entre os estados, o Rio Grande do Norte teve a maior variação percentual e consequentemente onde os homicídios por arma de fogo mais cresceu, seguido pelo Maranhão, Ceará, Piauí e Amazonas.


Gráfico 2. Variação percentual das taxas de homicídio por armas de fogo nas unidades da federação do Brasil entre 2004-2014.

Fonte: Mapa da Violência (2016)

2. Análise da distribuição espacial dos municípios mais violentos por arma de fogo no Pará 


A violência no Brasil é particularmente ligada ao crime organizado (Penna, N; Ferreira, I, 2005), que muitas vezes, ocasiona ocorrências de homicídio, principalmente nas periferias urbanas no caso dos grandes centros urbanos, ou em lugares onde os órgãos coercitivos são pouco atuantes, como áreas de fronteira agrícola. No Pará, conforme os dados do MAPA DA VIOLÊNCIA (2016), os municípios com as maiores taxas de homicídio por arma de fogo estão destacados no mapa abaixo:

Mapa 2. Os municípios com as maiores taxas de homicídio por arma de fogo no Estado do Pará (2014) 
CLIQUE PARA AUMENTAR
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É proibido usar sem a autorização prévia do autor. Entrar em contato para adaptar a figura ou mapa para trabalho acadêmico.


Na análise do mapa temático, observa-se que os municípios com as maiores taxas de homicídio por arma de fogo no Pará estão aglutinados em regiões diferentes do Estado, onde o foco de violência por arma de fogo é maior nos arredores de Belém, pois dois municípios da Região Metropolitana (Ananindeua em 1° e Marituba em 2°) têm os maiores índices. Na lista, Marabá é o 3°, seguido por Moju (4°), Novo Progresso (5°), Tailândia (6°), Altamira (7°), Igarapé-Miri (8°), Parauapebas (9°) e Nova Ipixuna (10°).


As mortes por arma de fogo em Ananindeua e Marituba estão intimamente atreladas aos problemas de uso e consumo de droga, seguida por ocorrências de latrocínio, principalmente nas periferias dessas cidades. Em Ananindeua, a situação é a pior do Pará, com quase 91 vítimas para cada 100 mil habitantes, enquanto Marituba também possui um índice alarmante de 58,9 mortes/mil hab. (MAPA DA VIOLÊNCIA, 2016). Conforme os dados do Mapa da Violência (2016), no ano de 2014, houve 401 vítimas em Ananindeua e 73 em Marituba.

No Nordeste Paraense, o município mais violento no que se refere a homicídio por arma de fogo é Moju (4°), seguido por Tailândia (6°) e Igarapé-Miri (8°). Nessas cidades que já possuem centros urbanos relativamente dinâmicos, as principais causas de homicídio também estão relacionadas a questão do tráfico e consumo de drogas, assim como em menor frequência aqueles relacionados aos conflitos agrários e trabalho escravo, principalmente em Tailândia, que já este foi um grande produtor de madeira da Amazônia.

No Sudeste Paraense, Marabá segue como o mais violento e o terceiro do Pará, seguido por Parauapebas (9°) e Nova Ipixuna (10°). Nessa parte do Estado, as causas estão mais vinculadas aos conflitos agrários por posse de terra, já que esses municípios possuem grandes rebanhos bovinos e consequentemente surgem diversas irregularidades pelas condições de trabalho análogas à escravidão. Disputas por terras são comuns nessa região, onde é forte à atuação do MST e de outros movimentos pró-terra. Apesar da força agropecuária na região, particularmente em Marabá, cidade com mais de 250 mil habitantes, há problemas ligados ao tráfico de drogas e violência urbana, que contribuem aumentar ainda mais o número de homicídios.

No Sudoeste do Pará, o município de Novo Progresso é o quinto mais violento e Altamira é o 7°. Nessa parte do Estado, problemas fundiários também são comuns, principalmente ao longo das rodovias (BR-163 e BR-202), onde os conflitos por posse de terra são as principais razões de tantos homicídios. Sobre os homicídios no campo, Santos (2000), nos diz que nas regiões Norte e Centro-Oeste, há forte concentração dos conflitos por terra no Brasil, o que ocasiona casos de homicídios pela posse da mesma.




2. CONCLUSÕES

Os dados do Mapa da Violência que ressaltam as mortes por arma de fogo no Pará mostram a gravidade da violência no Estado, colocando-o entre as unidades da federação mais violentas do Brasil. O olhar geográfico sobre a distribuição espacial dos municípios mais violentos do Estado revela à alta taxa de homicídios, principalmente onde os conflitos agrários e o tráfico de drogas fazem parte do cotidiano das cidades. O mapeamento da violência por meio de softwares, associado a mão-de-obra especializada, uso do GPS e outras tecnologias, pode trazer benefícios para administração pública e consequentemente para a sociedade, pois haverá maior monitoramento por parte das autoridades e melhor tomada de decisão pelos agentes envolvidos. Em suma, é necessário estimular e aplicar novas políticas públicas no combate a violência, principalmente para que não haja redutos do crime e consequentemente casos de homicídio.


3. REFERÊNCIAS


FERREIRA, I; PENNA, N. Território da violência: um olhar geográfico sobre a violência urbana. GEOUSP: Espaço e tempo, São Paulo, n°18, pp. 155-168, 2005. Disponível em http://www.geografia.fflch.usp.br/publicacoes/Geousp/Geousp18/Artigo11_Ignez%20e%20Elba.pdf

SANTOS, J. Conflitos agrários e violência no Brasil: agentes sociais, lutas pela terra e reforma agrária. Pontificia Universidad Javeriana. Seminário Internacional , Bogotá, Colômbia, agosto de 2010. Disponível em http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/rjave/paneles/tavares.pdf

MAPA DA VIOLÊNCIA 2016, Homicídios por arma de fogo no Brasil. Disponível em http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2016/Mapa2016_armas_web.pdf


TRINDADE et. al. Mapa dos Homicídios por arma de fogo : perfil das vítimas e das agressões. Revista da Escola de Enfermagem. USP. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v49n5/pt_0080-6234-reeusp-49-05-0748.pdf